2009-02-24

[video] Good Copy Bad Copy

Aproveitando o início do julgamento dos fundadores do The Pirate Bay, Gottfrid Svartholm Warg (aka Anakata), Peter Sunde Kolmisoppi (aka Brokep) e Fredrik Neij (aka TiAMO) - acusados de facilitar a infração de Copyright pela Warner Bros, MGM, EMI, Colombia Pictures, 20th Century Fox, Sony BMG e Universal - recomendo um interessante documentário produzido em 2007 pelos dinamarqueses Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke, chamado Good Copy Bad Copy. Você pode vê-lo legalmente abaixo com legendas no nosso português, o próprio site original do filme aponta para seu torrent no Pirate Bay.



O filme discute o direito autoral, a cultura livre, o atual modelo de produção da indústria cultural, as cópias ilegais, o cinema nigeriano, o tecnobrega brasileiro, a licença creative commons, o Partido Pirata sueco...

Se quer saber a minha opinião, o rádio não acabou com a indústria fonográfica, a TV não acabou com o cinema, o VHS não acabou com a TV, as fitas K7 não acabaram com o vinil, o cd vai morrer e não acabou com o vinil, quanto mais o k7... e a Internet não vai acabar com a indústria.
Os produtores deveriam entender que:
  • (1) Se o formato digital não está atrelado a nenhuma mídia física não é possível conter sua proliferação. O arquivo pode estar em uma hd, como pode estar em um cartão microSD e é o mesmo arquivo: ele não se resume a sua mídia como a música entalhada no vinil se resume no próprio bolachão. Se possuo um arquivo posso legalmente mantê-lo, ele não é o plástico ou a fita magnética, é apenas um arquivo, um conjunto de informações no formato de dados. É este conjunto de informações que compro quando adquiro um disco, ou seja, a música; de uma fita um filme. Se adquiro um filme, posso fazer um backup dele, posso copiá-lo.
    • Quando alguém faz uma torta gostosa não costuma compartilhar sua receita? No Orkut as pessoas não compartilham suas vidas, no youtube seus vídeos, no eMule seus filmes, canções, livros prediletos; no software livre compartilhamos conhecimento, é da natureza humana. E se no software temos a GPL, a OSI... para as artes existe a licença creative commons.
      Mas se o músico pode abrir mão de direito autoral, sobre o que irá capitalizar? Se a música em si deixa de ser o produto qual é o novo produto? Um nome e sua reputação.

  • (2) Sua margem de lucro nunca mais será a mesma, ajuste-se ou fique para trás. Sem nos darmos conta alguém já achou o que será a solução (talvez o tecnobrega?) para este impasse e é melhor não ficar para trás.
    A TV Globo não é aberta? Não somos obrigados a assistir as famigeradas propagandas no meio da programação, do rádio? Por quê na web seria diferente? Sabemos que o artista recebe uma percentagem irrisória das vendas de cds e são cada vez mais comuns os MegaShows. Seja como for, os Beatles morreram e levaram seu modelo de produção consigo.
  • (3) É óbvio que as cópias ilegais diminuiram o lucro, os pequenos sabem muito bem disto, o problema é que os produtores passaram os últimos 10 anos investindo no que parecia certo e seguro, ou seja, mais do mesmo. Sem se arriscar o cenário pop caiu na mesmice e o grande exemplo hoje é a MTV: quando apareceu se rogava arauta da juventude e da "liberdade", hoje dá dó. O produtor parece perdido enchendo buracos da programação com reprises americanas, seu grande veículo, o video-clipe, não gera mais market share. E o fundamental, é incapaz de se comunicar com seu target, com os jovens. Não é apenas a indústria fonográfica que está em crise, a música pop está em crise, a MPB está um deserto - para a Pitty fazer sucesso a concorrência tem que estar muito baixa (pra quem não conheceu Elis, Joplin, Billie, Ella, Sarah, Piaf, Dietrich, Clementina de Jesus, Selma do Coco, Elizeth Cardoso, Elizabeth Schwartzkopf, Maria Callas, Cathy Berberian... fica difícil ter um parâmetro de comparação).
  • (4) Curioso será ver que as músicas mais marcantes da nossa década sequer estão passando pelas rádios, afora o pessoal independente com seus sites, torrents, podcasts e pocket shows, afora as raves e os clubs, vivemos um incrível e fervilhante período para a música contemporânea. Ainda vai levar algumas décadas até que os músicos populares entendam que a própria música pode introduzir seu tempo, que seu suporte material é o som e não um conjunto de escalas e compassos.

Segundo o site lalai, o TPB é o maior tracker de torrents no mundo e existe desde 2003. Em 2006, teve seus servidores invadidos pela policia sueca, o que deixou o site fora do ar por 3 dias. Eles são acusados de facilitadores porque nenhum arquivo fica hospedado lá, os verdadeiros infratores no caso seriam os 22 milhões de usuários que usam o site. Na segunda-feira (2009-02-16) foram retiradas 50% das acusações contra o site TPB.

Um comentário:

  1. Guilherme F. Fantini5 de mar de 2009 17:24:00

    Eu como um profissional na área do áudio, defendo o copyright até certo ponto.
    Um estúdio musical que investe milhares de reais em tratamento/isolamento acústico e Microfones, Pré-amplificadores, Compressores, Gates, Expanders, uma boa interface de áudio, um ProTools HD8, enfim, equipamentos de primeira qualidade, bons técnicos, bons cabos, etc. E a banda que paga centenas de reais para fazer uma boa gravação de um álbum sempre pensam no reconhecimento do público, quanto a qualidade da gravação, mixagem e masterização.
    Mas infelizmente no tempo contemporâneo em que vivemos não temos esse reconhecimento, pois, alguém compra o Cd desta banda e o comprime para algum formato, digamos que mais “leve”, como o MP3 e divulga este CD na internet, então, do que adianta fazer uma boa gravação com equipamentos de primeira e o público ouvir um som totalmente comprimido e mesmo na melhor compressão do MP3 não chega ao som original do CD. O único formato que nos permite ouvir a mesma qualidade do CD é o Wave, que hoje ainda é raro no Brasil.
    Hoje em dia graças à era digital quase nenhum jovem ouve música, simplesmente escutam música, desvalorizado de novo as etapas de criação do CD.
    Temos também CD´s com preços realmente acessivos e não temos consumidores. Podemos achar CD´s por R$20,00 originais!
    As rádios são uma arma a favor do artista, pois os divulgam, mas infelizmente os novos artistas ou até mesmos artistas já prestigiados pagam o famoso “jabá”.
    Creio que quem gosta de comprar CD, ler o encarte, parar e escutar um CD é o que movimenta a indústria fonográfica hoje, mas infelizmente não é o bastante para que um artista consiga viver. Os shows são sua única saída, e assim com a divulgação de suas músicas em rádios e até mesmo na internet, com quebra de direito autoral, fazem com que exista público nestes shows.
    Em um workshop que pude ir, Paulo Roberto Ferreira (Produtor de Áudio da Rede Globo) ao dizer que não utiliza o MP3 e ser questionado sobre isso falou: “em um futuro próximo não haverá suporte para o MP3, então por que usa-lo?”.
    Sou a favor do copyright neste ponto de vista, mas sou a favor de uma política de direitos autorais do seguinte modo: se uma pessoa comprar um CD ela poderá fazer o que quiser com o mesmo (samplear para suas próprias produções, reproduzi-lo em público, etc.) só não poderia copiá-lo ou divulga-lo na internet e afins.
    Podemos ver que realmente as maiorias dos artistas hoje em dia só pensam em ganhar dinheiro e os consumidores só pensam em economizar dinheiro, é muito raro vermos músicos tocando em grandes shows por prazer, na maioria das vezes é por dinheiro.

    Guilherme F. Fantini

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